20 de junho de 2011

"A Libraria Limítrophe, quando em repouso, apresenta os mesmos objectos e posições que o Libreiro dephiniu, ao iniciar suas atividades.

Porém, ao receber visitas, esse espaço previamente dephinido deixa de existir e passa a ser moldado ao gosto do leitor. Isto pode inserir novos elementos ao ambiente previamente dephinido ou iniciar a criação de um cenário totalmente novo, que pode ser um cômodo, uma villa ou mesmo uma galáxia inteira.

O distinto Libreiro, por muitas vezes, estará longe do local onde ocorre a ação ou com sua visão obstruída, caso o visitante esteja dentro de outro recinto criado ou por trás de algum tipo de relevo acidentado.

"A mente humana é um mistério insondábil, dotada de uma imprevisibilidade assustadora. O caro colega já deve ter-se dado conta de que estará o tempo todo a a mercê das materializações geradas na mente do visitante. Dependendo do poder imaginativo do cliente, a experiência de criar a partir da sua vivência literária pode trazer riscos a todos os presentes.

Para evitar qualquer tipo de perigo oriundo de tal situação, existe o valoroso Apito de Vidro, o mellor item de segurança já criado na Libraria.

Ao phazer uso deste artephacto, o Libreiro consegue desphazer todas as criações de um cliente, trazendo a Libraria para o seu estado de repouso.

"A última coisa desejada pelos responsábeis pela Libraria é ver um de seus mantenedores extenuado, por conta de correr pheito barata tonta atrás de clientes com hiper-atividade nas suas criações literárias. Vossa mercê pode ter certeza de que alguns deles dão realmente traballo nas dependências da Libraria.

Para evitar ter o Libreiro perdido dentro do seu próprio ambiente de traballo, criamos uma pherramenta que permite trazer para perto de si a origem de todas as imprevisíbeis materializações, o visitante. Tal objecto é a phabulosa Gaita Doirada.

"Um bom prophissional sempre deve cercar-se do seu pherramental de traballo e ter-lo sempre a a mão. Para isso, é bom possuir um agregador de utensílios por perto que seja resistente e durábil. Na Libraria Limítrophe, esse artephacto atende pelo nome de Balcão-Base.

Pode ser pheito do material que o Libreiro desejar, dephinido no momento de remodelagem da Libraria, durante seu primeiro dia de traballo. É garantido que suportará qualquer carga ou impacto que possa vir a sophrer, por conta das materializações. Possui também práticos nichos internos para acomodar as principais pherramentas.

"Este é o primeiro objecto com o qual o digníssimo Libreiro tem contacto ao iniciar seu nobre traballo na Libraria Limítrophe.

É composto por um delicado pergamiño com cilindros phiníssimos de madeira bodhi colados a as suas extremidades superior e impherior, cuja phunção é manter-lo enrolado.

Vossa mercê não deve se deixar enganar pelo tamaño diminuto de tal artephacto, cerca de um palmo de pergamiño entre um bastonete de madeira e outro. A maneira como é chamado não é uma ilusão poética, o pergamiño é de phacto imphinito. Nele, é possíbil escrever toda a História da Humanidade, sem deixar phaltar uma letra sequer. Há de phicar claro não ser este o caso, pois sobre sua imphindável superphície estão somente palabras dedicadas a as atividades do Libreiro Limítrophe.

Palavras escritas a bico de pena com uma caligrafia cheia de floreios, sobre um pequeno pergaminho antiquíssimo e infindável. Esse é o Manual do Livreiro Limítrofe.

O artefato, passado às mãos do Livreiro sempre que este inicia suas atividades na Livraria Limítrofe, tem idade e época de escrita indefinidos. Por um lado, parece ter alguns séculos de existência, devido aos traços de um idioma arcaico que desfila pelas valiosas instruções nele contidas, uma espécie de galaico-português dos tempos em que a língua ainda era uma terra-de-ninguém sem regras bem definidas. Apesar disso, o texto é plenamente compreensível por um leitor moderno, por tratar-se de um manual de instruções, sem rodeios, objetivo. Uma coisa que deixa as pessoas desconfiadas é a existência de alguns termos nem tão antigos no conteúdo, o que coloca em dúvida a idade real do texto. 

9 de junho de 2011

Desde o primeiro anúncio do projeto Livraria Limítrofe, muitas pessoas mostraram grande interesse nele, ao mesmo tempo em que demonstravam certa curiosidade a respeito do texto. Muitos me questionaram sobre o estilo, o como as coisas acontecem, a narrativa.

Pensando nisso, criei um capítulo extra da Livraria, para poder mostrar a todos um pouquinho do que pode acontecer no interior deste incomum estabelecimento. E convidei um grande amigo para fazer parte do texto: Adriano Siqueira. Não, ele não escreveu este capítulo, ele é simplesmente o narrador/protagonista!